terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Acróstico









P
or uma paixão eterna
Escolhida pelo destino,
Desenterrada pela ânsia de amantes,
Relembrar
O amor inesquecível


Entre dois jovens,


Irrevogavelmente apaixonados que
Ninguém poderia separar
E mesmo com as suas mortes
Segredam os ventos a sua história de encantar!

Carta de Inês para Pedro


Albuquerque

20 Julho 1342



Meu amado Rei e senhor D. Pedro

Encontrando-me exilada, longe de vós neste país que já nem tenho a certeza de ser o meu, porque aqui não estais. A minha saúde está boa, embora meu coração chore por vossa ausência.

Durante o vazio dos meus dias e a solidão das minhas noites de angústia, não posso ignorar o imenso amor que sinto por vós e todo o mal que sem querer causei a vossa esposa, Dona Constança, minha ama e benfeitora e a vós, meu adorado Rei.

Em mais uma das minhas missivas que vos envio, ponho todo o meu amor, dedicação e respeito que sempre vos demonstrei, e do qual vós sempre fostes merecedor! Espero ansiosamente notícias vossas.

Neste desterro para o qual fui enviada pelo senhor vosso pai e Rei de Portugal D. Afonso IV, apenas tenho comigo as recordações de vós, que guardo no coração como o meu mais valioso tesouro.

Senhor meu Rei, sinto uma angústia imensa e dos meus humildes olhos rolam lágrimas de saudade. Que será de nós os dois e deste amor imenso e proibido que até Deus condena?

Meu amado, os tempos que se aproximam não trarão nada de bom a dois corações plenos de amor como os nossos?

Anseio ardentemente poder voltar a Portugal e ver de novo o vosso amado rosto.

Não sei, meu senhor, se esta será uma carta de despedida, ou apenas mais uma afirmação do meu grande amor por vós, mas tenho esperança de que nos voltaremos a encontrar, nem que seja por breves momentos, para que eu possa contemplar-vos de novo. Por hoje não vos vou tomar mais tempo, pois sei que o reino e a vossa família deverão ocupar-vos os pensamentos.

Despeço-me de vós, meu amado, pedindo a Deus que vos proteja e que a mim me conceda a graça de eternamente ser por vós amada, como eu vos amarei!


Vossa até à morte

Inês Pirez de Castro

Carta de Inês


Meu Pedro...Não sei se o termo "meu" será o mais certo, visto que já não me pertences e jamais poderás pertencer... O amor é mútuo, a saudade faz parte. Tive de travar esta batalha, tive de acabar com a nossa relação, tive de destruir as nossas presenças. Não irei pedir desculpas, pois demonstraria um arrependimento da minha parte e isso está muito apartado do que eu sinto, pois consegui salvar-me, consegui manter-me junto aos nossos filhos... Eles serão uma maneira de te trazer para mim nos pensamentos. Eles simbolizam-nos e para sempre o farão. Esquecer-te-ei, não irei conseguir alimentar mais esta fantasia, este desejo de manter a tua alma no meu coração; vou libertá-la, esta alma prisioneira. O meu coração ficará vázio, não poderá mais ser preenchido, apenas restos mortais de dor ficarão! O sorriso das crianças irá rodear o meu coraçãozinho, tão pequenino e tão humilde, mas não irão ousar a entrada neste. Este coraçãozinho tão pequenino, teu permanecerá até ao fim das nossas vidas. O destino trouxe-me para aqui, para bem longe da tua pessoa, somos proibidos um para o outro, somos o pecado um do outro, mas o nosso símbolo não tirarão de nós. Irei proteger os nossos filhos, irei ensiná-los e amá-los, direi que o pai faleceu, mas que era um homem corajoso ... Promete-me que me esquecerás, mas que nunca irás tirar a minha alma da tua mente e os nossos filhos do teu coração. Não quero mais que vivas em dor, nem quero que me respondas. Poupa as tuas mãos, as palavras, o papel, a tinta... Não servirão de nada! O teu silêncio fará as lágrimas desabarem, lárgrimas que me farão desmaiar de tanta dor, lágrimas que irão assustar as crianças... Mas não te preocupes, essas lágrimas alimentarão o meu amor por ti que irá aumentar após cada dia,cada hora,cada minuto de silêncio... Se na vida não nos deixaram ficar um com o outro, então que a Morte nos junte... O meu corpo será enterrado junto ao teu para que finalmente tenhamos uma paz infinita... Com estas palavras me despeço.
Um Até Nunca,
a tua eterna Inês.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Soneto - Pedro e Inês

O Cupido não resistiu...
Lançou a seta do amor
Que a vida da Inês destruiu,
Dando à sua alma momentos de mágoa e dor.

Pedro dela não desistiu,
Lutando pela sua alma com rigor,
Mas o fim de esforço consistiu
Na espada fina matando-a sem rancor.

O sofrimento atormentar conseguiu
Um pobre coração que nunca mais sentiu
Nem a alegria, nem o entusiasmo, apenas o terror.

A mãe Natureza para sempre guardou
O sorriso de Inês que nunca mais voltou...
Apenas duas crianças ficaram deste proibido amor.