quarta-feira, 24 de março de 2010



A história deste casal foi apresentada em palco no Convento de Cristo pelo grupo de teatro Fatias de Cá que apresentou a peça através do texto de João Aguiar. Por sua vez a Companhia S.A. Marionetas apresentou este trágico romance através de marionetas.

No dia 2 de Maio de 1910 estreou um filme mudo no Salão Central em Lisboa. Este filme é baseado na lenda de amor de D.Pedro e Inês de Castro.

"Rainha Depois de Morta" , é o nome do filme, é caracterizado como "filme de arte" e na época foi alvo de crítica afirmando que tratava-se de uma imitalão de "filme de arte" francês ou italiano, mas a estreia deste correu bem e as críticas converteram-se em elogios.


Representação da condenação de Inês de Castro. Pedido do exílio da parte de Inês perante o Rei D.Afonso IV .

terça-feira, 23 de março de 2010

Inês D Portugal - O Filme


Um filme realizado por José de Oliveira, em 1997, que interpreta a paixão entre D.Pedro I e Inês de Castro que acaba por ser executada em nome do interesse do reino. D.Pedro enlouquece, procura a vingança, matando os executores da sua amada e obriga a nobreza a reconhecer Dona Inês como sua esposa e Rainha de Portugal.


Pedro e Inês em palco...


Pedro e Ines - Moscovo

Foi representada em Moscovo uma peça de teatro inspirada em episódios e mitos da História de Portugal, entre os quais entra o episódio trágico do amor vivido entre D.Pedro e Inês de Castro. A peça é uma homenagem a Dom Pedro.

domingo, 21 de março de 2010

Entrevista a D. Pedro

Lisboa
20 Dezembro 1359

Encontro-me a entrevistar o Rei de Portugal D. Pedro I, "O Justiceiro" ou "O Cruel", como é conhecido pelo povo.

Cristiana: Excelentíssimo senhor D. Pedro e Rei de Portugal, agradeço a vossa majestade a disponibilidade para esta entrevista que será registada no nosso “Jornal de Lisboa”, para que os portugueses possam conhecer um pouco melhor os sentimentos do Rei.
D. Pedro: Para com os portugueses, meus súbditos, o meu povo, estarei sempre disponível.
Cristiana: D. Pedro, seria possível descrever um pouco a vossa vida até agora?
D. Pedro: Fui uma criança e um jovem apaixonado pela vida, pela caça, pelas festas e sobretudo pelo meu povo. Sou adepto da justiça, ainda que por vezes me considerem cruel. Aos oito anos foi decidido pelo Rei, meu pai, que eu contrairia matrimónio com D. Branca de Castela, mas devido à sua debilidade física e mental, foi anulado. Aos 16 anos foi-me definido por procuração um novo casamento com D. Constança.
Cristiana: E vossa excelência conhecia a vossa futura noiva?
D. Pedro: Não. D. Constança chegou a Portugal em 1340, e a bênção nupcial foi dada na Sé de Lisboa. Com D. Constança vinha a sua aia D. Inês de Castro, a qual eu pensava ser a minha noiva, e por quem me apaixonei apesar de ser minha prima.
Cristiana: Meu Rei, seria muita indiscrição da minha parte pedir-vos que falasse sobre esse grande amor?
D. Pedro: A minha paixão foi recíproca e mantivemos o nosso amor em segredo, até que o Rei, meu pai, descobriu e enviou Inês para fora do reino, para nos separar.
Cristiana: E durante algum tempo vossa majestade perdeu o contacto com D. Inês?
D. Pedro: Não. Nós sempre nos correspondemos em segredo através de cartas.
Cristiana: E quando voltou vossa majestade a ver a formosa D. Inês?
D. Pedro: Após a morte de minha esposa, D. Constança, que faleceu ao dar à luz ao nosso terceiro filho, D. Fernando.
Cristiana: Então a senhora D. Inês voltou a Portugal nessa altura?
D. Pedro: Sim. Meu pai acabou por se render ao nosso amor, mas nunca o aceitou. Recebi, mais tarde, D. Inês como minha legítima esposa diante de testemunhas.
Cristiana: E vossa majestade e a senhora D. Inês foram então viver para Coimbra, onde foram finalmente felizes, certo?
D. Pedro: Sim. Tivemos quatro filhos, mas a felicidade durou pouco, pois meu pai aproveitou o facto de eu me encontrar fora a caçar, juntou os fidalgos Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho, procuraram Inês e assassinaram-na, alegando razões políticas. Mas a verdadeira razão foi evitar confrontos entre os filhos meus e de D. Constança, e os meus e de D. Inês, que poderiam comprometer a segurança do reino. E assim, D. Inês foi morta a 07 de Janeiro de 1355.
Cristiana: E quando vossa majestade regressou a Coimbra, como reagiu?
D. Pedro: Reagi com uma enorme raiva. Revoltei-me contra meu pai, assolei diversas terras a norte do Douro e tentei apoderar-me do Porto. Só a intervenção da Rainha, mãe D. Beatriz, evitou o pior.
Cristiana: Após a morte de vosso pai, D. Afonso IV, que fez vossa majestade?
D. Pedro: A primeira coisa que fiz, após subir realmente ao trono de Portugal foi vingar a morte da minha amada Inês.
Cristiana: E como o conseguiu vossa majestade?
D. Pedro: Através de uma troca de fugitivos com o rei de Castela, Álvaro e Pêro Coelho foram castigados. A um, mandei tirar o coração pelos peitos, e a outro pelas costas, e mandei-os queimar. O outro conseguiu fugir.
Cristiana: E se não for insolência da minha parte para com vossa majestade, eu ousaria perguntar-vos, como foi D. Inês reconhecida como verdadeira rainha de Portugal?
D. Pedro: Eu provei que tinha casado com D. Inês em 1355 e impus que, em virtude disso, a reconhecessem como verdadeira rainha de Portugal.
Cristiana: E os túmulos que estão construídos no Mosteiro de Alcobaça, onde repousa D. Inês, Rainha de Portugal?
D. Pedro: O de D. Inês já está ocupado, e o outro será para mim. Acredito que ficarão, através das gerações vindouras, como duas das mais belas obras da escultura portuguesa deste século.
Cristiana: Além de D. Inês, houve mais alguma mulher na vida de sua majestade?
D. Pedro: Sim, tive um relacionamento com D. Teresa Lourenço, da qual nasceu D. João.
Cristiana: Agradeço a vossa majestade o tempo que me dedicou e este testemunho, que será uma homenagem à mulher que foi o grande amor do nosso Rei D. Pedro I, “O Justiceiro” ou “O Cruel”.


Obrigado
Jornal de Lisboa
Cristiana Louro

terça-feira, 16 de março de 2010

Conto

A vida era severa, o Mundo era cruel e tudo era resumido à sobrevivência. Os corações sem piedade eram a classe gerente e os corações humildes submetiam-se perante o poder dos outros. Ela, de nome Inês, a lua venerava com os seus olhos redondos, brilhantes, verdes, com umas pestanas negras que baloiçavam ao sabor do vento; junto a estas um cabelo macio, comprido, de um castanho dourado, com a leve brisa brincava. Inês cem quadros tinha e todos representavam o mesmo: uma mulher, um homem e uma lua. Mas cada um destes quadros expressava sentimentos distintos. As feições do casal mudavam de acordo com as cores utilizadas em cada uma das pinturas. E a lua, esta, permanecia igual, vazia, sem vida, apenas com histórias da Terra para contar. A irmã de Inês acreditava que os cem quadros desenhados contavam cada encontro de Inês com um rapaz, e quando as pinturas tinham cores alegres, frescas, então o encontro fora repleto de gargalhadas e essa frescura de cor também representava as margens do rio Mondego, onde Inês nasceu e cresceu e onde conhece cada folha de árvore, cada pétala de flor, cada formiga apressada, cada abelha a recolher o pólen... Por sua vez, quando os quadros têm tons quentes, vermelhos, laranjas... Então houve muito romance entre os amantes; se os tons quentes dão lugar a uma frieza do azul e cinzento então algo aconteceu, lágrimas foram vistas... O número de quadros aumentava a cada dia, mas Isabel, irmã de Inês, não percebia quando é que ela os pintava porque nunca ninguém viu... Mas sabe-se que eram da autoria de Inês, pois as mãos da rapariga andavam sempre com restos de tinta por tirar...Inês era adorada pelo povo da vila onde morava, nunca teve muito, perdera a sua mãe devido a uma doença maligna e desde sempre que vivia com a sua irmã mais velha, Isabel, que entretanto casara com um bom homem do qual tivera um filho. Isabel sabia que a sua irmã um amor escondia, já há muito tempo, mas não percebia porque é que esta não contava nada dele. Um dia chegou à vila uma notícia do Rei D.Afonso IV . Este dizia que uma rapariguinha o coração do seu filho roubara, o coração de D.Pedro, e que este não queria casar com Dona Constança, que fora filha de um indivíduo rico e com posses. O casamento destes traria fortunas ao reino tirando-o da crise, mas a recusa de Pedro para com o casamento atrairia problemas e má imagem para o Rei. E quando alguém encontrasse a dita moça e a trouxesse perante o Rei, então uma genuína recompensa levaria. Após a notícia a vila atirou-se à procura da moça, querendo encontrá-la o mais rapidamente possível, e cada um para o seu lado foi imaginando diversos planos para descobrir quem ela seria para encontrá-la. Inês sentia-se pouco confortável porque apesar de ninguém saber que a procurada era ela, mais tarde ou mais cedo descobririam que era tinha sido ela a roubar o coração ao filho do Rei, que era ela quem se encontrava com ele há muito tempo e que era ele o homem dos seus quadros. Inês não aguentou, contou tudo à sua irmã e esta ficou horrorizada; implorou para que Inês se afastasse de Pedro e que o convencesse a casar com Dona Constança, mas Inês já nada podia fazer: um filho com ele tinha que estava aos cuidados de uma velhota conhecida do casal... Isabel ficou furiosa com a sua irmã e, apesar de serem do mesmo sangue, traiu-a, contando ao Rei que era a rapariga que o seu filho atormentava. Inês foi levada até o Rei e este deicidiu uma triste sentença para ela: a Morte. Apesar de Inês ter sido adorada por todos na vila, de um momento para o outro todos passaram a odiá-la e a rezar para que ela fosse condenada. A sua irmã, denunciando-a, recebeu a prometida oferta: muito dinheiro. Inês foi morta aos olhos de Pedro. Este não aguentou a dor, tornou-se num homem fútil, frio, sem sentimento. Foi buscar o seu filho, não casou com Dona Constança, matou os assassinos de Inês e foi-se embora para longe... nunca mais ninguém o viu... Muitos ainda dizem de que o Anjo de Inês por aí anda olhando por todos, mas não quer vingar-se pois o destino há-de fazer a sua própria vingança.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Acróstico









P
or uma paixão eterna
Escolhida pelo destino,
Desenterrada pela ânsia de amantes,
Relembrar
O amor inesquecível


Entre dois jovens,


Irrevogavelmente apaixonados que
Ninguém poderia separar
E mesmo com as suas mortes
Segredam os ventos a sua história de encantar!

Carta de Inês para Pedro


Albuquerque

20 Julho 1342



Meu amado Rei e senhor D. Pedro

Encontrando-me exilada, longe de vós neste país que já nem tenho a certeza de ser o meu, porque aqui não estais. A minha saúde está boa, embora meu coração chore por vossa ausência.

Durante o vazio dos meus dias e a solidão das minhas noites de angústia, não posso ignorar o imenso amor que sinto por vós e todo o mal que sem querer causei a vossa esposa, Dona Constança, minha ama e benfeitora e a vós, meu adorado Rei.

Em mais uma das minhas missivas que vos envio, ponho todo o meu amor, dedicação e respeito que sempre vos demonstrei, e do qual vós sempre fostes merecedor! Espero ansiosamente notícias vossas.

Neste desterro para o qual fui enviada pelo senhor vosso pai e Rei de Portugal D. Afonso IV, apenas tenho comigo as recordações de vós, que guardo no coração como o meu mais valioso tesouro.

Senhor meu Rei, sinto uma angústia imensa e dos meus humildes olhos rolam lágrimas de saudade. Que será de nós os dois e deste amor imenso e proibido que até Deus condena?

Meu amado, os tempos que se aproximam não trarão nada de bom a dois corações plenos de amor como os nossos?

Anseio ardentemente poder voltar a Portugal e ver de novo o vosso amado rosto.

Não sei, meu senhor, se esta será uma carta de despedida, ou apenas mais uma afirmação do meu grande amor por vós, mas tenho esperança de que nos voltaremos a encontrar, nem que seja por breves momentos, para que eu possa contemplar-vos de novo. Por hoje não vos vou tomar mais tempo, pois sei que o reino e a vossa família deverão ocupar-vos os pensamentos.

Despeço-me de vós, meu amado, pedindo a Deus que vos proteja e que a mim me conceda a graça de eternamente ser por vós amada, como eu vos amarei!


Vossa até à morte

Inês Pirez de Castro

Carta de Inês


Meu Pedro...Não sei se o termo "meu" será o mais certo, visto que já não me pertences e jamais poderás pertencer... O amor é mútuo, a saudade faz parte. Tive de travar esta batalha, tive de acabar com a nossa relação, tive de destruir as nossas presenças. Não irei pedir desculpas, pois demonstraria um arrependimento da minha parte e isso está muito apartado do que eu sinto, pois consegui salvar-me, consegui manter-me junto aos nossos filhos... Eles serão uma maneira de te trazer para mim nos pensamentos. Eles simbolizam-nos e para sempre o farão. Esquecer-te-ei, não irei conseguir alimentar mais esta fantasia, este desejo de manter a tua alma no meu coração; vou libertá-la, esta alma prisioneira. O meu coração ficará vázio, não poderá mais ser preenchido, apenas restos mortais de dor ficarão! O sorriso das crianças irá rodear o meu coraçãozinho, tão pequenino e tão humilde, mas não irão ousar a entrada neste. Este coraçãozinho tão pequenino, teu permanecerá até ao fim das nossas vidas. O destino trouxe-me para aqui, para bem longe da tua pessoa, somos proibidos um para o outro, somos o pecado um do outro, mas o nosso símbolo não tirarão de nós. Irei proteger os nossos filhos, irei ensiná-los e amá-los, direi que o pai faleceu, mas que era um homem corajoso ... Promete-me que me esquecerás, mas que nunca irás tirar a minha alma da tua mente e os nossos filhos do teu coração. Não quero mais que vivas em dor, nem quero que me respondas. Poupa as tuas mãos, as palavras, o papel, a tinta... Não servirão de nada! O teu silêncio fará as lágrimas desabarem, lárgrimas que me farão desmaiar de tanta dor, lágrimas que irão assustar as crianças... Mas não te preocupes, essas lágrimas alimentarão o meu amor por ti que irá aumentar após cada dia,cada hora,cada minuto de silêncio... Se na vida não nos deixaram ficar um com o outro, então que a Morte nos junte... O meu corpo será enterrado junto ao teu para que finalmente tenhamos uma paz infinita... Com estas palavras me despeço.
Um Até Nunca,
a tua eterna Inês.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Soneto - Pedro e Inês

O Cupido não resistiu...
Lançou a seta do amor
Que a vida da Inês destruiu,
Dando à sua alma momentos de mágoa e dor.

Pedro dela não desistiu,
Lutando pela sua alma com rigor,
Mas o fim de esforço consistiu
Na espada fina matando-a sem rancor.

O sofrimento atormentar conseguiu
Um pobre coração que nunca mais sentiu
Nem a alegria, nem o entusiasmo, apenas o terror.

A mãe Natureza para sempre guardou
O sorriso de Inês que nunca mais voltou...
Apenas duas crianças ficaram deste proibido amor.