
Albuquerque
20 Julho 1342
Meu amado Rei e senhor D. Pedro
Encontrando-me exilada, longe de vós neste país que já nem tenho a certeza de ser o meu, porque aqui não estais. A minha saúde está boa, embora meu coração chore por vossa ausência.
Durante o vazio dos meus dias e a solidão das minhas noites de angústia, não posso ignorar o imenso amor que sinto por vós e todo o mal que sem querer causei a vossa esposa, Dona Constança, minha ama e benfeitora e a vós, meu adorado Rei.
Em mais uma das minhas missivas que vos envio, ponho todo o meu amor, dedicação e respeito que sempre vos demonstrei, e do qual vós sempre fostes merecedor! Espero ansiosamente notícias vossas.
Neste desterro para o qual fui enviada pelo senhor vosso pai e Rei de Portugal D. Afonso IV, apenas tenho comigo as recordações de vós, que guardo no coração como o meu mais valioso tesouro.
Senhor meu Rei, sinto uma angústia imensa e dos meus humildes olhos rolam lágrimas de saudade. Que será de nós os dois e deste amor imenso e proibido que até Deus condena?
Meu amado, os tempos que se aproximam não trarão nada de bom a dois corações plenos de amor como os nossos?
Anseio ardentemente poder voltar a Portugal e ver de novo o vosso amado rosto.
Não sei, meu senhor, se esta será uma carta de despedida, ou apenas mais uma afirmação do meu grande amor por vós, mas tenho esperança de que nos voltaremos a encontrar, nem que seja por breves momentos, para que eu possa contemplar-vos de novo. Por hoje não vos vou tomar mais tempo, pois sei que o reino e a vossa família deverão ocupar-vos os pensamentos.
Despeço-me de vós, meu amado, pedindo a Deus que vos proteja e que a mim me conceda a graça de eternamente ser por vós amada, como eu vos amarei!
Vossa até à morte
Inês Pirez de Castro
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